sexta-feira, 25 de junho de 2010

ZULMIRA

ZULMIRA - Segunda esposa de Amaro. Torturada psiquicamente, é levada a desejar ardentemente a morte do pequeno Júlio, por não suportar o carinho do marido para com o menino. Mas quando ele desencarna, sente-se culpada, adoecendo em seguida, vítima do remorso e da cruel perseguição de Odila. Não sabe que Júlio é duplamente suicida. Mais tarde, já suspensa a obsessão, Zulmira auxilia Odila recebendo Júlio em seus braços, por duas vezes, como filho muito amado.

TRECHO DO LIVRO "ENTRE A TERRA E O CÉU": — Porque tamanha provação se não é ela a autora do crime? — inquiri por minha vez.

O Ministro, porém, informou, preciso: — André, segundo as anotações que já recolhemos da irmã Eulália, Zulmira não é propriamente a autora, mas, com loucas ciumadas do marido, desejou ardentemente a morte da criança, chegando mesmo a favorecê-la.

Depois de breve pausa, prosseguiu:

— Amaro experimentava imensa devoção afetiva pelo filhinho. Sabendo-o sem o carinho materno e reconhecendo que a madrasta não primava pelo amor, junto dos enteados, passava a dormir ao lado do caçula, rodeando-o de mimos. Quando tornava a casa, cada dia, confiava-se a longas conversações com o filho, lendo-lhe histórias ou escutando-lhe, atencioso, as narrativas infantis. Zulmira, em razão disso, ralada de despeito, passou a ver no menino um adversário de sua felicidade doméstica. A dedicação de Evelina para com o genitor não lhe doía tanto. A madrasta nada sentia contra ela, mas o pequeno excitava-a. Chegava mesmo a estimular-lhe indébitas incursões na via pública, admitindo que algum veículo podia fazer o que não tinha coragem de realizar com as próprias mãos... Foi nessa disposição de espírito que acompanhou a família ao banho matinal, em clara manhã domingueira. Entregues ao contentamento da excursão, Amaro e a filhinha distanciaram-se... Não seria aquele o momento azado para consumar o velho propósito? Decerto, Júlio, em sua curiosidade infantil, não resistiria à atração para o seio das águas. Ninguém poderia culpá-la...

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